Viscosímetro de Stokes na FEM: nada mais que um tubo tranparente, cheio com o líquido que se deseja medir a viscosidade. Uma esfera é lançada no topo e desce com velocidade terminal (a seta indica a posição instantânea da esfera). A velocidade da esfera é medida e obtém-se a viscosidade.

Viscosidade é definida como a resistência que um fluido oferece ao seu próprio movimento. Quanto menor for a sua viscosidade, maior será a sua capacidade de escoar (fluir).

De uma forma mais técnica:

  • A viscosidade é a propriedade dos fluidos correspondente ao transporte microscópico de quantidade de movimento por difusão molecular. Quanto maior a viscosidade, menor a velocidade em que o fluido se movimenta.
  • Viscosidade é a medida da resistência de um fluido à deformação causada por um torque. É comumente percebida como a “grossura”, ou resistência ao despejamento.
  • Viscosidade descreve a resistência interna para fluir de um fluido e deve ser pensada como a medida do atrito do fluido. Assim, a água é “fina”, tendo uma baixa viscosidade, enquanto óleo vegetal é “grosso”, tendo uma alta viscosidade.


Pressão laminar de um fluido entre duas placas. Atrito entre o fluido e a superfície móvel causa a torção do fluido. A força necessária para essa ação é a medida da viscosidade do fluído.

Os valores de viscosidade dos óleos são obtidos experimentalmente em Laboratório, utilizando-se um aparelho chamado VISCOSÍMETRO como o da figura no início do post. Trata-se de um teste padronizado onde é medido o tempo que uma certa quantidade de fluido leva para escoar através de um pequeno tubo (capilar) a uma temperatura constante.

A temperatura do teste deve ser constante, pois a viscosidade é uma propriedade que se altera de acordo com a variação da temperatura.
Quanto maior for a temperatura, maior será a facilidade de escoamento, e quando em temperaturas baixas, o fluido oferece maior resistência ao escoamento devido ao aumento da viscosidade.
Os valores obtidos em Laboratório são associados a unidades técnicas de medida de viscosidade (Centistokes, Segundos Saybolt, Centipoise) que a maioria do público consumidor desconhece.
Por sua vez, a SAE, criou um critério de classificação que teve aceitação generalizada pelos fabricantes de veículos e de lubrificantes.
Esta classificação é feita associando-se um número puro à viscosidade determinada em laboratório.
Quanto maior o número, maior será a viscosidade.
A classificação SAE divide os óleos lubrificantes em dois grupos:

  • - Óleos de “grau de inverno”

Óleos que possibilitem uma fácil e rápida movimentação, tanto do mecanismo quanto do próprio óleo, mesmo em condições de frio rigoroso ou na partida a frio do motor, e cuja viscosidade é medida a baixas temperaturas e tem a letra W acompanhando o número de classificação.
Os testes para óleos de grau de inverno levam em consideração a resistência que o mesmo oferecerá na partida a frio do motor e a facilidade de bombeamento e circulação em baixas temperaturas.

  • - Óleos de “grau de verão”

Óleos que trabalhem em altas temperaturas, sem o rompimento de sua película lubrificante, pois quanto mais quente o óleo, menos viscoso ele se apresenta.
Os óleos de grau de verão têm portanto sua viscosidade medida a altas temperaturas e não possuem a letra W.
Os testes dos óleos de grau de verão verificam a operabilidade do lubrificante em altas temperaturas, ou seja, a sua capacidade de oferecer proteção em regimes extremos.

Existem óleos que, ao mesmo tempo, atendem a estas duas exigências, é o caso dos Óleos Multiviscosos, cuja classificação reune graus de óleos de inverno e de verão.

Estes números que aparecem nas embalagens dos óleos lubrificantes automotivos (30, 40, 20W/40, etc.) correspondem à classificação da SAE (Society of Automotive Engineers), que se baseia na viscosidade dos óleos a 100°C, apresentando duas escalas:

  • 0W até 25W – Escala de baixa temperatura
  • 25W até 60W – Escala de alta tempereatura

A letra “W” significa “Winter” (inverno, em inglês) e ela faz parte do primeiro número, como complemento para identificação.

Cito novamente:

  • Quanto maior o número, maior a viscosidade, para o óleo suportar maiores temperaturas.
  • Graus menores suportam baixas temperaturas sem se solidificar ou prejudicar a bombeabilidade.

Um óleo do tipo monograu (como o Lubrax MG-1) só pode ser classificado em um tipo escala (o MG-1 apresenta os graus 20W, 30, 40 ou 50).

Já um óleo com um índice de viscosidade maior pode ser enquadrado nas duas faixas de temperatura, por apresentar menor variação de viscosidade em virtude da alteração da temperatura.

Desta forma, um óleo multigrau SAE 20W/40 se comporta a baixa temperatura como um óleo 20W reduzindo o desgaste na partida do motor ainda frio e em alta temperatura se comporta como um óleo SAE 40, tendo uma ampla faixa de utilização.

O Lubrax MG-4, o Lubrax SJ e o Lubrax Sintético são alguns exemplos de óleos multigrau da distribuidora BR de lubrificantes automotivos. Não deixo de citar que outras distribuidoras também possuem óleos similares, só utilizei como exemplo.

Uma outra especificação muito importante é o nível API (American Petroleum Institute)
Quando for usar um óleo em seu carro, consulte o manual e fique atento a estas especificações.

Eis alguns exemplos da BR:

  1. Lubrax MG-4 SAE 20W/40 – API SF
  2. Lubrax SL SAE 20W/50 – API SL
  3. Lubrax TECNO SAE 20W/50 – API SL
  4. Lubrax SJ SAE 20W/50 – API SJ
  5. Lubrax Sintético SAE 5W/50 – API SJ

Fontes: http://www.br.com.br / http://www.castrol.com / http://www.rodotransporte.com.br / wikipedia.org

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comentários
  1. eder hilarino disse:

    gostaria de saber como faço para comprar oleo de motor automotivo de voce?

  2. Éder Hilarino, não comercializo lubrificantes.

  3. Maria Ines disse:

    Excelente. Quero construir um viscosímetro de Strokes, queria saber se é obrigatório ter angulaçao (inclinação). Pode me ajudar a achar referencias? Obrigada

  4. muito bom mesmo esse seu blog, só fez eu ter certeza do que eu já sabia sobre óleos lubrificantes, mas gostaria de receber em meu e-email quais foram as classificações que sairam no mercado para serem suspensas.Adoro sabr mais sobre lubrificantes do que os frentistas no posto em que eu trabalho, que por sinal é um posto com bandeira da br,ótimo saber o que é SAE,WINTER E API,obrigada….

  5. dion cunha disse:

    olá, preciso resolver um problema de mecânica dos fluidos e para tal preciso saber qual a viscosidade de um óleo SAE 10W E SAE 30.

    ONDE POSSO ENCONTRAR ESSA VISCOSIDADES? NENHUM DOS LIVROS QUE DISPONHO NO MOMENTO TEM UMA TABELA COM OS VALORES

  6. Rogerio Costa disse:

    Prezados amigos
    Gostaria que me respondessem se eu posso usar o óleo sae 30 comprado da Texaco, que seria usado nos nossos geradores a diesel no meu carro de marca GM – modelo Astra a gasolina / gnv, uma vez que não mais será usado este óleo nos geradores.
    Abraço
    Rogerio

  7. Existe grande diferença entre um óleo SJ 25W50 e um SJ 20W50?

  8. Harry,

    Observe que os valores da API são os mesmos. Então estamos bem próximos em aditivação.

    Neste caso que você citou o valor que difere é o valor a frio (W). O óleo 25W terá menor fluidez em baixas temperaturas e se a indicação do motor for 20W você estará causando graves problemas ao mesmo nos períodos mais críticos de funcionamento, ou seja, quando o carro está aquecendo ou perdeu temperatura durante o trabalho.

    Compreendido?

  9. Marcelo disse:

    A moto é importada e o fabricante recomenda óleo 10w40, aqui no Brasil utilizo o óleo 15w50 nessa moto, tendo em vista a condição climática ter a temp. mais elevada que no país onde o veículo foi projetado. Isso pode acarretar algum problema ?

  10. Marcelo:

    A viscosidade indicada no manual é para o país de origem ou para o Brasil?

    Vale observar que vários fabricantes (Peugeot por exemplo) dispõe no manual de uma tabela com valores climáticos e viscosidades.

    Não posso lhe dizer que o óleo adequado seria este somente por acreditar que nosso clima é tropical e a origem seria um local mais frio. Seria interessante junto à fábrica ou o representante no Brasil ter documentado qual é o óleo especificado.

    Provável que seja é, mas como a viscosidade a frio é muito importante em momentos críticos de funcionamento é muito melhor ter a orientação do fabricante para manter garantia.

    Rogerio Costa:

    O lubrificante especificado para o Astra não é monoviscoso.

    Dion Cunha:

    Espero que tenha recebido meu e-mail com a indicação da tabela de viscosidade Centistokes, Centipoise e Saybolt.

    Maria do Rocio Bazar Torres:

    Enviei classificações que são comerciais a seu e-mail.

  11. pedro cicero disse:

    gotei muito das infomação sobre oleo!!!

  12. Luciano Silva disse:

    Tenho um Fiesta 98 CLX 1.4 Motor Zetec-S e utilizo o óleo recomendado pela FORD que eh o SAE 20w50 SJ ou SH no meu caso uso o SJ, porém, tenho uma dúvida o consumo de óleo do meu motor tem sido muito elevado e meu mecânico disse que é desgaste do motor e que ele possui muitas folgas. Então pesquisei e li que para casos assim de motores com muitas folgas e rodado o SAE 25w50 seria melhor por ser mais grosso, porém aqui em Porto Alegre – RS temos estações bem definidas especialmente no que diz respeito a INVERNO e VERÃO. Minha dúvida é usar ou não este óleo? Posso intercalar (no inverno 20w50 e no verão 25w50?

    Desde já agradeço.

  13. Tito Schubert disse:

    Itajai, 05 de fevereiro de 2009.

    Ola Sr Norival.

    Gostei muito do artigo que publicou.
    tirou algumas duvidas que tinha.
    Parabens por se dispor a produzir materias informativas como estas.

    muito obrigado.

    atenciosamente

    Tito Schubert

    atel@ubbi.com.br

  14. Luciano Silva mesmo sendo o mais otimista possível tenho que lhe dizer que isto não vai solucionar o consumo de óleo.

    Infelizmente não conheço sua cidade pessoalmente, espero ainda ter esta oportunidade. Mas posso lhe dizer que esta boa definição de estações não vai afetar o uso do 20W no motor. Ele é bom para partidas a frio e na mudança de temperatura não se preocupe pois vai se adequar.

    Fato é que o consumo de óleo não ocorre só a frio no motor e se existem folgas o mais comum é que ele se reduza com o aumento de temperatura por possuir materiais diferentes no êmbolo e camisa. Mas o êmbolo (piston) possui anéis e chapas auto-térmicas que controlam sua dilatação então não é grande a diferença.

    Existem mesmo produtos que ajudam a reduzir este consumo de óleo mas vale sempre observar a relação custo benefício pois sempre haverá um “efeito colateral” com o suo dos mesmos. Muitas vezes é mais barata a manutenção do motor.
    Mascarar o problema pode não ser viável.

  15. Tito Schubert muito obrigado pelo seu retorno!

  16. Francisco Muniz disse:

    Excelente trabalho.Me ajudou muito. Obrigado mesmo!.

  17. Reinaldo silva de farias disse:

    muito bom gostei , fica mais facil enterder sobre lubrificação.

  18. henrique disse:

    gostei muito da explicação sobre as viscosidade dos oleos lubrificantes para motores de combustão interna pois fui mecãnico de automoveis durante cerca de 50 anos e nunca me deram uma explicação tão completa

  19. Obrigado pela resposta henrique!!!

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